Cresce e Educa



27 Apr 11

Se a vontade e a capacidade de aprender são inatas, logo a avaliação passa e provem de um conjunto de momentos, na qual a apreciação das competências são feitas sobre diversas formas e em vários períodos temporais.
Segundo diversos autores, o conceito de Avaliação é polissémico .Santos (2000), Machado & Gonçalves (1991); Pacheco (1996); Afonso (1998); Formosinho & Parente (2004), defendem que é um termo complexo e com um vasto campo semântico. Daí, o próprio conceito de avaliação depender do significado que é atribuído por cada um dos avaliadores.
A avaliação na educação de infância é indispensável em todo o processo de ensino/ aprendizagem. Segundo o Dicionário de Língua Portuguesa (1998) Avaliação, significa “Calcular; determinar o valor de; apreciar (…)”. Tendo em conta a problemática deste conceito, e sendo esta uma das dimensões mais importantes do contexto das reformas educativas das últimas décadas em Portugal, é a partir da Lei de Bases do Sistema Educativo   e até aos diferentes documentos e textos legislativos de enquadramento, quer dos programas e currículos, quer da regulamentação da carreira docente ou das autonomias das escolas, que a avaliação tem sido um aspecto constantemente referido.
Em 1986, em Portugal galanteou-se a uma alteração dos princípios subjacentes à organização do sistema educativo. No que se refere à Educação Pré-escolar, a Lei -Quadro (Lei nº5/97) enunciava o Principio Geral e os Princípios Pedagógicos. Estes mesmos objectivos constituíam, os referentes de actividades educativas e as aspirações que a sociedade desejava ver concretizadas a nível educativo. Assim, estes objectivos proporcionam aos profissionais, uma grande autonomia e um poder de decisão curricular, quer na construção, quer na sua implantação. O principio geral estabelece que: “ (…) a educação pré-escolar é a primeira etapa da educação básica no processo de educação ao longo da vida (…)”, ( Orientações Curriculares, 1997: 15).

Nas Orientações Curriculares para a educaçaõ Pré-escolar, documento que fornece directrizes para a educação de infância, imanado pelo Ministerio de Educação, as aprendizagens “(…) acentuam a importância de uma pedagogia estruturada, o que implica uma organização intencional e sistemática do processo pedagógico, exigindo que o educador planeie o seu trabalho e avalie o processo e os seus efeitos no desenvolvimento e na aprendizagem da criança” (Orientações Curriculares, 1997: 18), mais acrescenta que “(…) avaliar o processo e os efeitos, implica tomar consciência da acção para adequar o proce

sso educativo às necessidades da criança e do grupo e à sua evolução”. (Orientações Curriculares, 1997: 27).
Neste encadeamento de ideias, tendo em conta o Decreto – Lei nº24 relativo ao Perfil Específico de Desempenho Profissional do Educador de Infância (ME, 2001), ao qual aponta para o papel do educador, Oliveira e Gaspar (2004: 452) aludem para o “avaliar, numa perspectiva formativa, a sua intervenção, o ambiente e os processos educativos adoptados (…)”.
Parente (2003) destaca o facto de o educador dever articular as diferentes áreas de conteúdo, interligando o currículo implementado com as práticas de avaliação, adequando sempre, à idade das crianças. Ainda nesta perspectiva, a mesma autora defende que, perante todos os desafios que os Educadores de Infância são colocados nos dias que correm – os primeiros educadores formais na vida da criança – evidencia-se a responsabilidade de construir um sistema de avaliação compreensivo, como forma de realizar a avaliação na Educação de Infância.
Avaliar é fundamental em qualquer actividade educativa, isto é, faz parte de qualquer processo educativo. Segundo Roldão (2004: 39), avaliação educacional surge “como uma entidade mal amada, o mal necessário, uma espécie de mancha negra neste mar azul que poderia ser o ofício de ensinar (…)”. Também Alves (2004: 31) afirma que a avaliação “(…) tem vindo, ao longo das épocas, a adquirir uma grande variedade de significados, de acordo com a evolução da própria sociedade: alterações económicas, sociais, políticas e culturais originaram diferentes concepções de educação e, consequentemente, diferentes modelos de ensino aprendizagem e de abordagens de avaliação”.
Assim, é dever dos educadores terem a responsabilidade e desenvolverem processos pedagógicos que conduzam à melhoria da aprendizagem e do ensino, valorizando as modalidades formativas que permitam ao aluno aprender a desenvolver-se. Para tal, a avaliação não pode ser desligada nem do contexto, nem dos seus actores, uma vez que avaliar é um acto pedagógico que requer uma atitude e um saber específico que permitam desenvolver estratégias adequadas, tendo em conta os contextos de cada criança e do grupo, no respeito pelos valores de uma pedagogia diferenciada.